- A chuva não pára!
Reclamava Sophia, realmente a chuva parecia não parar e o rio que corta a cidade estava subindo cada vez mais, nada que a preocupasse, exceto pelo fato de não poder sair na rua ou que cada vez que saísse tivesse que levar todas aquelas tralhas como guarda-chuva, capa de chuva e etc, que sua mãe sempre a obrigava.
- Calma Sophia em maio sempre chove muito.
Falou sua mãe do outro lado da linha. Na verdade não era o mês mais chuvoso mas estava chovendo bastante, algo que a deixava irritada, estava irritada fazia alguns dias, não sabia bem o motivo mas estava. Tudo e todos ao redor a irritavam desde uma simples pergunta a uma freada de um carro na rua, tudo simplesmente tudo.
Estava sendo um inicio de ano estranho, sua mãe havia sido chamada para protagonizar alguns comerciais na TV, e estava meio ausente, algo que nunca antes acontecera, não depois que vieram morar no sul. Sophia temia que sua mãe retomasse a carreira e a deixasse meio de lado, ou pior, tivesse que mudar de cidade novamente, logo agora que estava habituada ao sul e finalmente fizera alguns amigos. Ela estava com onze anos, um mês e uns dias, e a pouco se matriculara num curso de inglês básico módulo um.
Ele estava sentado em frente a casa de Sophia esperando-a para irem juntos a escola, como faziam todos os dias, ela como sempre demorada, saiu da casa vestindo jeans azul, uma blusa preta, um casaco também preto na mão direita e o guarda-chuva fechado na outra mão. Caminharam até a escola, pela primeira vez em silêncio, a única frase que fora pronunciada foi um leve “bom dia”. Chegaram juntos a escola, mas lá cada um foi para um lado. As pessoas pensavam que os dois eram irmãos, pois desde que ficaram amigos sempre chegavam e saiam juntos da escola, algo que ambos os pais aprovavam já que também eram amigos, algumas vezes eles também se sentiam como irmão já que ambos eram filhos único e viam um no outro o irmão que não tinham.
Neste dia a aula demorou para passar, ele estava estranhando a postura de Sophia, ela estava quieta e durante toda a aula não dera nem um sorriso e volta e meia fazia cara de quem estava sentindo alguma dor. Ele sentava encostado na parede esquerda e ela na primeira classe da fila ao lado.
Como não gostava das aulas ficava o tempo todo tendo devaneios da vida do lado de fora da sala de aula, para ele aquilo era como uma prisão.
Finalmente o sinal tocou, ele jogou suas coisas na mochila e parou em frente a classe de Sophia, ela vagarosamente guardou os cadernos e o restante do material em sua mochila rosa, ajeitou a blusa e os tênis.
- Agora podemos ir! – exclamou Sophia, enquanto abria um tímido sorriso.
Foi neste dia que ele percebeu que se importava realmente com Sophia, durante o caminho insistiu diversas vezes com ela para que falasse o que estava se passando que sempre respondia que não havia nada e então começava outro assunto. Isso realmente o perturbou. A tarde foi brincar na casa dela, ficaram a tarde inteira na frente da TV jogando vídeo-game. Por volta das dezesseis horas ouviram alguém que abria a porta, era a mãe dela que chegava em casa depois de três dias fora. Num salto Sophia correu aos braços da mãe, mas quando chegou seu semblante perdeu a cor e a única coisa que se ouviu foi uma pequeno: “- Ai, mãe!”, neste momento encontrava-se desmaiada. Correram então para o hospital ela tinha que ser operada imediatamente, seu apêndice estava tomado de inflamação.
O apêndice é um tubo vermiforme que parte da primeira parte do intestino grosso e que se situa na região inferior direita do abdômen. Os seres humanos e os macacos são os únicos seres vivos que possuem apêndice. Não se sabe ao certo qual função exerce. Porém, sabemos que ele possui grande quantidade de tecido linfóide, importante para atuar como defesa contra infecções locais.
Aquela noite foi longa, ele não queria sair do hospital sem antes ver Sophia e por horas ficou sentado no banco de espera, rezava baixo e pedia por ela, até que pode vê-la.
Sophia estava deitada, com soro ligado ao braço e com os lábios roxos. Ele ficou olhando para ela meio acuado e distante, até ela o chamar para perto, conversaram algumas poucas palavras até ela dizer que estava com sono, ele perguntou se doía e ela respondeu que não mais então saiu cabisbaixo procurando Dona Ana. Voltou para casa no banco de trás do carro olhando o tempo inteiro para os desenhos que os pingos da chuva formavam no vidro.
**voltar para o livro, A Casa Vazia***
Reclamava Sophia, realmente a chuva parecia não parar e o rio que corta a cidade estava subindo cada vez mais, nada que a preocupasse, exceto pelo fato de não poder sair na rua ou que cada vez que saísse tivesse que levar todas aquelas tralhas como guarda-chuva, capa de chuva e etc, que sua mãe sempre a obrigava.
- Calma Sophia em maio sempre chove muito.
Falou sua mãe do outro lado da linha. Na verdade não era o mês mais chuvoso mas estava chovendo bastante, algo que a deixava irritada, estava irritada fazia alguns dias, não sabia bem o motivo mas estava. Tudo e todos ao redor a irritavam desde uma simples pergunta a uma freada de um carro na rua, tudo simplesmente tudo.
Estava sendo um inicio de ano estranho, sua mãe havia sido chamada para protagonizar alguns comerciais na TV, e estava meio ausente, algo que nunca antes acontecera, não depois que vieram morar no sul. Sophia temia que sua mãe retomasse a carreira e a deixasse meio de lado, ou pior, tivesse que mudar de cidade novamente, logo agora que estava habituada ao sul e finalmente fizera alguns amigos. Ela estava com onze anos, um mês e uns dias, e a pouco se matriculara num curso de inglês básico módulo um.
Ele estava sentado em frente a casa de Sophia esperando-a para irem juntos a escola, como faziam todos os dias, ela como sempre demorada, saiu da casa vestindo jeans azul, uma blusa preta, um casaco também preto na mão direita e o guarda-chuva fechado na outra mão. Caminharam até a escola, pela primeira vez em silêncio, a única frase que fora pronunciada foi um leve “bom dia”. Chegaram juntos a escola, mas lá cada um foi para um lado. As pessoas pensavam que os dois eram irmãos, pois desde que ficaram amigos sempre chegavam e saiam juntos da escola, algo que ambos os pais aprovavam já que também eram amigos, algumas vezes eles também se sentiam como irmão já que ambos eram filhos único e viam um no outro o irmão que não tinham.
Neste dia a aula demorou para passar, ele estava estranhando a postura de Sophia, ela estava quieta e durante toda a aula não dera nem um sorriso e volta e meia fazia cara de quem estava sentindo alguma dor. Ele sentava encostado na parede esquerda e ela na primeira classe da fila ao lado.
Como não gostava das aulas ficava o tempo todo tendo devaneios da vida do lado de fora da sala de aula, para ele aquilo era como uma prisão.
Finalmente o sinal tocou, ele jogou suas coisas na mochila e parou em frente a classe de Sophia, ela vagarosamente guardou os cadernos e o restante do material em sua mochila rosa, ajeitou a blusa e os tênis.
- Agora podemos ir! – exclamou Sophia, enquanto abria um tímido sorriso.
Foi neste dia que ele percebeu que se importava realmente com Sophia, durante o caminho insistiu diversas vezes com ela para que falasse o que estava se passando que sempre respondia que não havia nada e então começava outro assunto. Isso realmente o perturbou. A tarde foi brincar na casa dela, ficaram a tarde inteira na frente da TV jogando vídeo-game. Por volta das dezesseis horas ouviram alguém que abria a porta, era a mãe dela que chegava em casa depois de três dias fora. Num salto Sophia correu aos braços da mãe, mas quando chegou seu semblante perdeu a cor e a única coisa que se ouviu foi uma pequeno: “- Ai, mãe!”, neste momento encontrava-se desmaiada. Correram então para o hospital ela tinha que ser operada imediatamente, seu apêndice estava tomado de inflamação.
O apêndice é um tubo vermiforme que parte da primeira parte do intestino grosso e que se situa na região inferior direita do abdômen. Os seres humanos e os macacos são os únicos seres vivos que possuem apêndice. Não se sabe ao certo qual função exerce. Porém, sabemos que ele possui grande quantidade de tecido linfóide, importante para atuar como defesa contra infecções locais.
Aquela noite foi longa, ele não queria sair do hospital sem antes ver Sophia e por horas ficou sentado no banco de espera, rezava baixo e pedia por ela, até que pode vê-la.
Sophia estava deitada, com soro ligado ao braço e com os lábios roxos. Ele ficou olhando para ela meio acuado e distante, até ela o chamar para perto, conversaram algumas poucas palavras até ela dizer que estava com sono, ele perguntou se doía e ela respondeu que não mais então saiu cabisbaixo procurando Dona Ana. Voltou para casa no banco de trás do carro olhando o tempo inteiro para os desenhos que os pingos da chuva formavam no vidro.
**voltar para o livro, A Casa Vazia***
Nenhum comentário:
Postar um comentário