Enquanto a chaleira chiava ele sevou o amargo, havia comprado algumas coisas na noite anterior entre elas um bom pacote de erva mate. Era fã de um bom chimarrão sempre amargo e quente, a típica bebida que gaúcho nenhum dispensa. Estava com vontade de ver o sol nascer a beira-mar, fazia tempo que não o fazia e achava que seria legal depois de tanto tempo. Sentou-se nas dunas e ficou parado a observar a aurora, há quem diga que os primeiros raios de sol são sempre os mais bonitos e realmente são principalmente sentado em um cômodo de areia. O sol já o aquecia quando decidiu voltar, voltar era sempre estranho, incrível como o tempo se porta proporcional a nossa ansiedade. No caminho de volta decidiu passar em frente a casa de verão da família de Sophia, como é de costume no sul, vizinhos na capital, vizinhos no litoral, na verdade costumamos fazer uma replica de nossa casa, levamos todo o tipo de conforto e até mesmo desconforto.
A casa era uma casa grande, dois pisos com varanda, toda em tijolos à vista, com portas grandes e janelas maiores ainda. O gramado estava bem aparado e a luz acesa. Aproximou-se ainda mais para ver se tinha alguém, mas logo percebeu que o gramado só estava aparado por que tinha um caseiro que o fazia em toda a vizinhança durante todo o ano. A casa ficava na parte mais ao norte daquela praia, que era dividida em três faixas, bem próxima as dunas onde o vento se mostrava ainda mais forte, já sua casa ficava na faixa do centro de frente para o mar. Ficou por alguns minutos olhando para a casa fria e mórbida, atravessou a rua e sentou no cordão da calçada do outro lado. Lembrou-se que Sophia odiava aquela casa e que vivia reclamando dela, preferia mil vezes não ir pra praia do que ter que ir para aquela casa, talvez o maior motivo de passar o tempo todo junto com ele durante o veraneio, só voltava para a casa para dormir. Ali ele ficou até pouco depois do meio dia, olhava e lembrava das coisas que vivera ali.
Quando chegou novamente em sua casa viu que seu celular tinha oito chamadas não atendidas, nossa um numero recorde, sete de sua mãe que só percebera a sua falta dois dias após a sua partida. Foi até a cozinha e preparou a sua especialidade: macarrão instantâneo ao molho de sardinhas era péssimo cozinhando. Só depois do almoço retornou a ligação, explicou onde estava e que não pretendia voltar. Ela como sempre acatou a vontade do filho, achava que pelo fato de sempre estar trabalhando e não ter tempo tinha que suprimir aos caprichos dele.
Sua mãe se chamava Ana, a Dona Ana como ele costumava dizer era uma senhora de pouco mais de cinqüenta anos, trabalhava como juíza em uma das comarcas da cidade, sempre fora aplicada nos estudos e vivia fazendo concurso público, para se testar, era aprovada em quase todos e não entendia como o filho podia não ter puxado a ela, cuidava da sua aparência como ninguém e odiava representar a idade que tinha. Dava ao filho tudo o que ele queria, quase sempre um pouco mais do que de fato precisava. Era a maneira que ela encontrava para demonstrar seu afeto, por vezes escasso.
Mas a oitava chamada em seu celular era de Sophia, com o telefone nas mãos deitou-se na rede em frente a casa, coisa que sempre fazia durante o verão, ficou olhando o remexer das folhas enquanto criava coragem para ligar, via o balançar do mundo e aquilo foi embaralhando os seus olhos que se perdiam em olhar para o teclado do telefone e para a doce dança da copa das árvores. Foi se sentido leve e embriagado com aquele ambiente. Adormeceu e em seus sonhos viu Sophia aproximando-se dele calmamente, esticou os braços, mas antes que pudesse tocá-la caiu da rede assustado com o barulho de um trovão, era um sonho, daqueles que parecem bem reais.
O susto fez com que seu coração disparasse num ritmo frenético.
O tempo fechou durante sua sestia, começava então um temporal, com rajadas de ventos, relâmpagos, raios e trovoes. Era impressionante como ele gostava daquilo, não tinha medo e parecia absorver pra si a energia desperdiçada. Sempre fora assim, tinha profunda admiração pelos efeitos da natureza. Quando criança acreditava que atraia tempestades com seus pensamentos. Ficou parado olhando a chuva cair até a noite chegar, sem coragem para ligar, mas agora nem sinal no telefone tinha para poder fazê-lo, sem energia elétrica e sem vontade de voltar.
**voltar para o livro, A Casa Vazia***
A casa era uma casa grande, dois pisos com varanda, toda em tijolos à vista, com portas grandes e janelas maiores ainda. O gramado estava bem aparado e a luz acesa. Aproximou-se ainda mais para ver se tinha alguém, mas logo percebeu que o gramado só estava aparado por que tinha um caseiro que o fazia em toda a vizinhança durante todo o ano. A casa ficava na parte mais ao norte daquela praia, que era dividida em três faixas, bem próxima as dunas onde o vento se mostrava ainda mais forte, já sua casa ficava na faixa do centro de frente para o mar. Ficou por alguns minutos olhando para a casa fria e mórbida, atravessou a rua e sentou no cordão da calçada do outro lado. Lembrou-se que Sophia odiava aquela casa e que vivia reclamando dela, preferia mil vezes não ir pra praia do que ter que ir para aquela casa, talvez o maior motivo de passar o tempo todo junto com ele durante o veraneio, só voltava para a casa para dormir. Ali ele ficou até pouco depois do meio dia, olhava e lembrava das coisas que vivera ali.
Quando chegou novamente em sua casa viu que seu celular tinha oito chamadas não atendidas, nossa um numero recorde, sete de sua mãe que só percebera a sua falta dois dias após a sua partida. Foi até a cozinha e preparou a sua especialidade: macarrão instantâneo ao molho de sardinhas era péssimo cozinhando. Só depois do almoço retornou a ligação, explicou onde estava e que não pretendia voltar. Ela como sempre acatou a vontade do filho, achava que pelo fato de sempre estar trabalhando e não ter tempo tinha que suprimir aos caprichos dele.
Sua mãe se chamava Ana, a Dona Ana como ele costumava dizer era uma senhora de pouco mais de cinqüenta anos, trabalhava como juíza em uma das comarcas da cidade, sempre fora aplicada nos estudos e vivia fazendo concurso público, para se testar, era aprovada em quase todos e não entendia como o filho podia não ter puxado a ela, cuidava da sua aparência como ninguém e odiava representar a idade que tinha. Dava ao filho tudo o que ele queria, quase sempre um pouco mais do que de fato precisava. Era a maneira que ela encontrava para demonstrar seu afeto, por vezes escasso.
Mas a oitava chamada em seu celular era de Sophia, com o telefone nas mãos deitou-se na rede em frente a casa, coisa que sempre fazia durante o verão, ficou olhando o remexer das folhas enquanto criava coragem para ligar, via o balançar do mundo e aquilo foi embaralhando os seus olhos que se perdiam em olhar para o teclado do telefone e para a doce dança da copa das árvores. Foi se sentido leve e embriagado com aquele ambiente. Adormeceu e em seus sonhos viu Sophia aproximando-se dele calmamente, esticou os braços, mas antes que pudesse tocá-la caiu da rede assustado com o barulho de um trovão, era um sonho, daqueles que parecem bem reais.
O susto fez com que seu coração disparasse num ritmo frenético.
O tempo fechou durante sua sestia, começava então um temporal, com rajadas de ventos, relâmpagos, raios e trovoes. Era impressionante como ele gostava daquilo, não tinha medo e parecia absorver pra si a energia desperdiçada. Sempre fora assim, tinha profunda admiração pelos efeitos da natureza. Quando criança acreditava que atraia tempestades com seus pensamentos. Ficou parado olhando a chuva cair até a noite chegar, sem coragem para ligar, mas agora nem sinal no telefone tinha para poder fazê-lo, sem energia elétrica e sem vontade de voltar.
**voltar para o livro, A Casa Vazia***
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