A chuva havia passado a noite havia tomado conta do seu mundo, não havia um só vestígio de luz. Resolveu então ir dormir. Há pouco tinha tomado uma caneca bem cheia de café e dormir seria algo meio difícil. Deitou-se no quarto que costumava dormir, não era um grande quarto, mas porem era confortável. No quarto tinha uma cama beliche, um pequeno guarda roupas e um criado mudo, aquele quarto o trazia muitas lembranças. Era a primeira vez que de fato ficava lembrando o que já havia se passado naquele quarto.
Seus pés estavam frios, assim como suas mãos e orelhas. As extremidades do corpo são sempre as mais difíceis de se esquentar, pois o corpo prefere deixar quente e resguardado os órgãos vitais, mas nem por isso ele desistia de esquentá-los. E essa foi a grande briga daquela noite. Ficou pensando no telefonema que deixara de dar, no que poderia ter dito e no que ainda iria falar. Sabia também que Sophia poderia apenas estar preocupada por ele não ter se despedido ou querendo alguma coisa, acreditava que o que ele sentia era algo somente dele, algo platônico.
Costumava sempre antes de dormir pensar no que tinha feito e no que ia fazer, mas desde que chegou não o fizera, parecia mais querer esquecer o que se passava. Mas nesta noite foi diferente e se remeteu ao dia de sua partida. Havia acordado por volta das dez horas, era um sábado e seus planos eram diversos, levou o carro para a lavagem, era um carro desses preparados para fazer trilha, tração nas quatro rodas, guincho, uma pintura chumbo fosca para esconder os arranhões e mais alguns aparatos. A lavagem ficava perto de sua casa pouco menos de oito minutos de distancia, sempre media a distancia em minutos e não em metros. Deixou o carro e foi caminhar um pouco aproveitando o sol que o aquecia, sua intenção era voltar para casa, mas parou em frente à banca de jornal e folhou algumas revistas.
Fazia pouco mais de seis meses que não falava com Sophia desde a formatura, ela assim que se formou foi viajar para a Austrália, fazer um aprofundamento aplicado no seu inglês, ele sabia que ela havia voltado e passado no vestibular e ainda assim não tinha ido falar com ela, decidiu então ir até sua casa. A casa de Sophia era uma casa grande em um terreno pequeno, tinha suas paredes em tom alaranjado, janelas e portas em marrom.
Chegou em frente a casa e tocou a campainha, ficou esperando alguém atender, não viu movimento de ninguém e quando estava quase saindo ouviu a voz de Sophia que o saldava e chamava para entrar. Neste momento seu coração parecia querer sair pela boca, suas mãos suavam frio e sua voz se desfaleceu, ela vestia uma blusa branca longa, um cinto preto por cima da blusa, calça e botas pretas, seus cabelos dourados refletiam a luz do sol e por um segundo o cegaram, eram cabelos longos e lisos, estava se preparando para sair, conversaram por alguns minutos e Sophia então o convidou para uma festa que seus pais dariam a ela como se fosse de boas vindas e em comemoração pelo vestibular, tão sonhado e esperado. Sentiu por um minuto que não deveria ir, mas decidiu passar por cima do sentimento e fazer-se presente na festa.
Voltou para sua casa com um sentimento misto entre euforia, alegria e medo. Euforia por ter revisto Sophia, alegria por ir à festa dela e medo por não poder controlar o que lá poderia acontecer. Caminhou o trajeto inteiro com o olhar perdido como se pensasse em algo, mas na verdade estava apenas digerindo os fatos e a doce imagem de Sophia. O dia se desenrolou sem muitas coisas notáveis, até a tão esperada festa, que seria em uma casa noturna não muito grande que estava fechada somente para o evento.
Sophia estava rodeada de pessoas o tempo todo, usava um vestido longo preto, um cinto prata na altura da cintura e um casaco de pele cinza para amenizar o frio, esse era um daqueles momentos em que seu sangue fervia por ter ela tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Entre um copo e outro da mesma bebida ele a seguia com os olhos por toda a parte, volta e meia ela vinha e o abraçava, sempre sussurrando: “– Que saudade! Como é bom te ver!”, a única coisa que ele conseguia fazer era aproveitar ao máximo aquele abraço e extrair dela um pouco do doce perfume que a envolvia. Um perfume o fazia lembrar ela e seu sorriso. Um sorriso grande, simples e espontâneo.
Seus sonhos e devaneios estavam no ápice quando viu se aproximar de Sophia um cara que ele jamais tinha isto, era uma rapaz alto, de braços fortes que vestia camisa de cor branca e calça escura, este a segurou pela cintura enquanto dançavam uma musica mais lenta, viu perfeitamente que sussurrava ao pé de seu ouvido algumas palavras que a faziam rir, não pensou duas vezes e saiu, sem olhar para lado algum, sem pensar em nada, queria correr e correu. Pegou algumas roupas, seu fiel violão e saiu sem rumo, quando se deu conta estava deitado na mesma cama que não o deixava dormir agora.
**voltar para o livro, A Casa Vazia***
Seus pés estavam frios, assim como suas mãos e orelhas. As extremidades do corpo são sempre as mais difíceis de se esquentar, pois o corpo prefere deixar quente e resguardado os órgãos vitais, mas nem por isso ele desistia de esquentá-los. E essa foi a grande briga daquela noite. Ficou pensando no telefonema que deixara de dar, no que poderia ter dito e no que ainda iria falar. Sabia também que Sophia poderia apenas estar preocupada por ele não ter se despedido ou querendo alguma coisa, acreditava que o que ele sentia era algo somente dele, algo platônico.
Costumava sempre antes de dormir pensar no que tinha feito e no que ia fazer, mas desde que chegou não o fizera, parecia mais querer esquecer o que se passava. Mas nesta noite foi diferente e se remeteu ao dia de sua partida. Havia acordado por volta das dez horas, era um sábado e seus planos eram diversos, levou o carro para a lavagem, era um carro desses preparados para fazer trilha, tração nas quatro rodas, guincho, uma pintura chumbo fosca para esconder os arranhões e mais alguns aparatos. A lavagem ficava perto de sua casa pouco menos de oito minutos de distancia, sempre media a distancia em minutos e não em metros. Deixou o carro e foi caminhar um pouco aproveitando o sol que o aquecia, sua intenção era voltar para casa, mas parou em frente à banca de jornal e folhou algumas revistas.
Fazia pouco mais de seis meses que não falava com Sophia desde a formatura, ela assim que se formou foi viajar para a Austrália, fazer um aprofundamento aplicado no seu inglês, ele sabia que ela havia voltado e passado no vestibular e ainda assim não tinha ido falar com ela, decidiu então ir até sua casa. A casa de Sophia era uma casa grande em um terreno pequeno, tinha suas paredes em tom alaranjado, janelas e portas em marrom.
Chegou em frente a casa e tocou a campainha, ficou esperando alguém atender, não viu movimento de ninguém e quando estava quase saindo ouviu a voz de Sophia que o saldava e chamava para entrar. Neste momento seu coração parecia querer sair pela boca, suas mãos suavam frio e sua voz se desfaleceu, ela vestia uma blusa branca longa, um cinto preto por cima da blusa, calça e botas pretas, seus cabelos dourados refletiam a luz do sol e por um segundo o cegaram, eram cabelos longos e lisos, estava se preparando para sair, conversaram por alguns minutos e Sophia então o convidou para uma festa que seus pais dariam a ela como se fosse de boas vindas e em comemoração pelo vestibular, tão sonhado e esperado. Sentiu por um minuto que não deveria ir, mas decidiu passar por cima do sentimento e fazer-se presente na festa.
Voltou para sua casa com um sentimento misto entre euforia, alegria e medo. Euforia por ter revisto Sophia, alegria por ir à festa dela e medo por não poder controlar o que lá poderia acontecer. Caminhou o trajeto inteiro com o olhar perdido como se pensasse em algo, mas na verdade estava apenas digerindo os fatos e a doce imagem de Sophia. O dia se desenrolou sem muitas coisas notáveis, até a tão esperada festa, que seria em uma casa noturna não muito grande que estava fechada somente para o evento.
Sophia estava rodeada de pessoas o tempo todo, usava um vestido longo preto, um cinto prata na altura da cintura e um casaco de pele cinza para amenizar o frio, esse era um daqueles momentos em que seu sangue fervia por ter ela tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Entre um copo e outro da mesma bebida ele a seguia com os olhos por toda a parte, volta e meia ela vinha e o abraçava, sempre sussurrando: “– Que saudade! Como é bom te ver!”, a única coisa que ele conseguia fazer era aproveitar ao máximo aquele abraço e extrair dela um pouco do doce perfume que a envolvia. Um perfume o fazia lembrar ela e seu sorriso. Um sorriso grande, simples e espontâneo.
Seus sonhos e devaneios estavam no ápice quando viu se aproximar de Sophia um cara que ele jamais tinha isto, era uma rapaz alto, de braços fortes que vestia camisa de cor branca e calça escura, este a segurou pela cintura enquanto dançavam uma musica mais lenta, viu perfeitamente que sussurrava ao pé de seu ouvido algumas palavras que a faziam rir, não pensou duas vezes e saiu, sem olhar para lado algum, sem pensar em nada, queria correr e correu. Pegou algumas roupas, seu fiel violão e saiu sem rumo, quando se deu conta estava deitado na mesma cama que não o deixava dormir agora.
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