Pelo caminho muito mato, poeira e pedras, um sobe e desce interminável, estrada de chão batido e muitos buracos. Era a primeira vez que iam juntos visitar a tia de Sophia. Ela se chamava Maria e na verdade era tia avó de Sophia.
Maria era uma mulher simples, casada com um senhor muito engraçado, mas que andava muito doente, o Sr. Virgílio, juntos tiveram quatro filhos, todos já estavam morando em Porto Alegre ou arredores, mas os dois continuavam a morar em Mariana Pimentel, a família de Sophia ia seguido visitar os parentes, mas esta era a primeira vez que ele ia junto e tudo soava como uma aventura. Também era a primeira vez que ia para o interior e além de tudo ser novo era tudo muito misterioso.
Chegaram ainda era cedo, por volta das oito e meia da manhã daquele sábado ensolarado do mês de outubro. Sophia vestia sua cor predileta o lilás, uma calça e uma blusa de moletom nesta cor. Além de um tênis com luzinha que acendia quando se pisava no chão. Logo que chegaram foram recepcionados com um belo de um café da manhã. Maria adorava entupir os convidados de tudo quanto é tipo de guloseima, era até engraçado a forma como ela sempre oferecia mais e mais. Depois de se entupirem os dois de pão caseiro e schmier de uva, schmier é um doce em pasta de origem alemão muito apreciado no sul. Saíram campo a fora sem olhar pra trás e sem perceber o tempo passar. Sophia estava com nove anos e para ela ser a guia turística de um lugar tão imenso era a maior coisa que já fizera até então.
O orvalho ainda molhava o chão e do chão entrava tênis a dentro, o cheiro que se desprendia das árvores formava uma espécie de ar que nunca antes havia respirado. Na propriedade havia muitas árvores frutíferas, das mais diversas, desde laranjeiras até jabuticabeiras. Um verdadeiro paraíso para quem gosta de frutas. Havia também um açude e alguns poucos animais.
- Você não cansa de correr? Eu vou subir para a casa da tia Maria – falou Sophia, pois o terreno era acidentado e a casa ficava na parte mais alta daquela chácara.
- Eu vou ficar um pouco mais! – exclamou.
Enquanto Sophia se afastou e ele sentou-se no chão e começou a ouvir um barulho que aos poucos aumentava, algo parecido com um chiado, mas que gradativamente parecia se aproximar.
- Espera aí! Não te mexe! – gritou enquanto corria e quando chegou perto pulou a derrubando no chão e protegendo-a de um enxame de abelhas que se locomovia sobre as suas cabeças.
- Nossa! Você me salvou! – falou com cara de espanto pelo ocorrido.
- Agora você me deve vinte e cinco centavos. – respondeu na maior cara de pau, quebrando o clima de pavor da menina.
Voltaram os dois para a casa da tia Maria, encontraram os pais de Sophia verdes de tanto chimarrão, quando chegaram já era perto do meio dia e o almoço já estava pronto. Como de costume. Meio dia todos em volta da mesa para almoçar. O prato do dia era carreteiro de charque, acompanhado de ovos cozidos e bem picados e tempero verde, para beber suco de laranja e de sobremesa uma tradicional compota de abóbora com coco. Mais uma vez comeram até não poder mais.
Quando a noite chegou se reuniram em torno de uma fogueira, estavam sentados nesta ordem: ele, o pai e a mãe de Sophia, Sophia, tia Maria, Sr. Virgílio e um empregado da fazenda chamado João. João era um grande contador de histórias, prendia a todos quando começava a contar seus “calsos”. Nesta noite ele contou a história de uma família muito rica que vivera por ali nos tempos feudais.
- Há muito tempo atrás existia um Barão que era dono de tudo essas terras aqui, ele tinha dois fios que muito moços foram estuda na capitar. Sua muié a baronesa tinha morrido no parto do fio mais novo e o Barão vivera muito rancoroso desde então. O fio mais novo se formo em advocacia e o mais véio de formo em médico mesmo. Depois que se formaram voltaram pra casa do Sr. Barão e sempre brigavam pelas riquezas do pai. – enquanto contava a história João se divertia com os rostos de espanto que o cercavam – os dois brigavam tanto que por diversas vezes os escravos da fazenda tinha que apartar a briga, eles se juravam de morte, tudo por causa do dinheiro. Até que numa noite de chuva um deles, o mais moço, caminhava em direção ao estábulo quando sentiu que estava sendo seguido.
Quando de repente... – uma pausa dramática para apreciar novamente os semblantes já estáticos – um vulto o atacou pelas costas – gritou surpreendendo a todos - e numa briga feroz acabou sendo atingido por uma facada que o rasgou os intentino, mas ainda assim conseguiu atingir o agressô que também sangrou até a morte. Quando foi encontrado ou mió foram encontrados todos se surpreenderam em ver os dois irmão que haviam lutado até a morte.
- Ai eu to com medo! – exclamou Sophia enquanto agarrava firme o braço de sua mãe.
- Se preferir eu paro senhorita – falou João enquanto botava o seu cachimbo no canto da boca.
- Continua por favor! – ele exclamou sem pensar duas vezes.
Então o velho João continuou: - Depois disto o Barão amaldiçoou o dinheiro que havia destruído sua família e resolveu enterrar tudo o que tinha de valor, juntou duas carroças de puro ouro, chamou dois escravos de sua confiança que partiram para uma figueira que ficava no limite das terras, era uma figueira gigante daquelas que as raízes ficam para fora da terra.
A noite estava fria e um nevoeiro tomava conta do lugar. O Barão mandou que os escravos cavassem um buraco no pé da figueira. Quando terminaram de cavar o Barão sacou seu revolver da cintura e bang, bang – gritou João – ele matou os dois escravos. Colocou todo o ouro no buraco e enterrou junto com os escravos. Eles perambulam por ai procurando dois escolhidos para ficarem no lugar deles e fazerem eternamente a guarda deste tesouro. Há-há-há-há – terminou com uma risada de arrepiar a espinha.
- Ai João para que assustar as crianças com essas historias que não existem – falou Maria.
- Tu sabe que é verdade, sinhá, meu avô que me contou – se defendeu João, como quem realmente acredita naquilo.
Depois disto o mais difícil foi dormir. Além da noite quase sem dormir no dia seguinte as crianças não saíram da volta da casa, permaneceram o dia inteiro só cochichando sobre o “calso” da noite anterior. Numa mistura de medo e fascinação que só o universo infantil nos proporciona. ao final da tarde de domingo voltaram pela mesma estrada de sobe e desce, buracos e muita poeira.
**voltar para o livro, A Casa Vazia***
Maria era uma mulher simples, casada com um senhor muito engraçado, mas que andava muito doente, o Sr. Virgílio, juntos tiveram quatro filhos, todos já estavam morando em Porto Alegre ou arredores, mas os dois continuavam a morar em Mariana Pimentel, a família de Sophia ia seguido visitar os parentes, mas esta era a primeira vez que ele ia junto e tudo soava como uma aventura. Também era a primeira vez que ia para o interior e além de tudo ser novo era tudo muito misterioso.
Chegaram ainda era cedo, por volta das oito e meia da manhã daquele sábado ensolarado do mês de outubro. Sophia vestia sua cor predileta o lilás, uma calça e uma blusa de moletom nesta cor. Além de um tênis com luzinha que acendia quando se pisava no chão. Logo que chegaram foram recepcionados com um belo de um café da manhã. Maria adorava entupir os convidados de tudo quanto é tipo de guloseima, era até engraçado a forma como ela sempre oferecia mais e mais. Depois de se entupirem os dois de pão caseiro e schmier de uva, schmier é um doce em pasta de origem alemão muito apreciado no sul. Saíram campo a fora sem olhar pra trás e sem perceber o tempo passar. Sophia estava com nove anos e para ela ser a guia turística de um lugar tão imenso era a maior coisa que já fizera até então.
O orvalho ainda molhava o chão e do chão entrava tênis a dentro, o cheiro que se desprendia das árvores formava uma espécie de ar que nunca antes havia respirado. Na propriedade havia muitas árvores frutíferas, das mais diversas, desde laranjeiras até jabuticabeiras. Um verdadeiro paraíso para quem gosta de frutas. Havia também um açude e alguns poucos animais.
- Você não cansa de correr? Eu vou subir para a casa da tia Maria – falou Sophia, pois o terreno era acidentado e a casa ficava na parte mais alta daquela chácara.
- Eu vou ficar um pouco mais! – exclamou.
Enquanto Sophia se afastou e ele sentou-se no chão e começou a ouvir um barulho que aos poucos aumentava, algo parecido com um chiado, mas que gradativamente parecia se aproximar.
- Espera aí! Não te mexe! – gritou enquanto corria e quando chegou perto pulou a derrubando no chão e protegendo-a de um enxame de abelhas que se locomovia sobre as suas cabeças.
- Nossa! Você me salvou! – falou com cara de espanto pelo ocorrido.
- Agora você me deve vinte e cinco centavos. – respondeu na maior cara de pau, quebrando o clima de pavor da menina.
Voltaram os dois para a casa da tia Maria, encontraram os pais de Sophia verdes de tanto chimarrão, quando chegaram já era perto do meio dia e o almoço já estava pronto. Como de costume. Meio dia todos em volta da mesa para almoçar. O prato do dia era carreteiro de charque, acompanhado de ovos cozidos e bem picados e tempero verde, para beber suco de laranja e de sobremesa uma tradicional compota de abóbora com coco. Mais uma vez comeram até não poder mais.
Quando a noite chegou se reuniram em torno de uma fogueira, estavam sentados nesta ordem: ele, o pai e a mãe de Sophia, Sophia, tia Maria, Sr. Virgílio e um empregado da fazenda chamado João. João era um grande contador de histórias, prendia a todos quando começava a contar seus “calsos”. Nesta noite ele contou a história de uma família muito rica que vivera por ali nos tempos feudais.
- Há muito tempo atrás existia um Barão que era dono de tudo essas terras aqui, ele tinha dois fios que muito moços foram estuda na capitar. Sua muié a baronesa tinha morrido no parto do fio mais novo e o Barão vivera muito rancoroso desde então. O fio mais novo se formo em advocacia e o mais véio de formo em médico mesmo. Depois que se formaram voltaram pra casa do Sr. Barão e sempre brigavam pelas riquezas do pai. – enquanto contava a história João se divertia com os rostos de espanto que o cercavam – os dois brigavam tanto que por diversas vezes os escravos da fazenda tinha que apartar a briga, eles se juravam de morte, tudo por causa do dinheiro. Até que numa noite de chuva um deles, o mais moço, caminhava em direção ao estábulo quando sentiu que estava sendo seguido.
Quando de repente... – uma pausa dramática para apreciar novamente os semblantes já estáticos – um vulto o atacou pelas costas – gritou surpreendendo a todos - e numa briga feroz acabou sendo atingido por uma facada que o rasgou os intentino, mas ainda assim conseguiu atingir o agressô que também sangrou até a morte. Quando foi encontrado ou mió foram encontrados todos se surpreenderam em ver os dois irmão que haviam lutado até a morte.
- Ai eu to com medo! – exclamou Sophia enquanto agarrava firme o braço de sua mãe.
- Se preferir eu paro senhorita – falou João enquanto botava o seu cachimbo no canto da boca.
- Continua por favor! – ele exclamou sem pensar duas vezes.
Então o velho João continuou: - Depois disto o Barão amaldiçoou o dinheiro que havia destruído sua família e resolveu enterrar tudo o que tinha de valor, juntou duas carroças de puro ouro, chamou dois escravos de sua confiança que partiram para uma figueira que ficava no limite das terras, era uma figueira gigante daquelas que as raízes ficam para fora da terra.
A noite estava fria e um nevoeiro tomava conta do lugar. O Barão mandou que os escravos cavassem um buraco no pé da figueira. Quando terminaram de cavar o Barão sacou seu revolver da cintura e bang, bang – gritou João – ele matou os dois escravos. Colocou todo o ouro no buraco e enterrou junto com os escravos. Eles perambulam por ai procurando dois escolhidos para ficarem no lugar deles e fazerem eternamente a guarda deste tesouro. Há-há-há-há – terminou com uma risada de arrepiar a espinha.
- Ai João para que assustar as crianças com essas historias que não existem – falou Maria.
- Tu sabe que é verdade, sinhá, meu avô que me contou – se defendeu João, como quem realmente acredita naquilo.
Depois disto o mais difícil foi dormir. Além da noite quase sem dormir no dia seguinte as crianças não saíram da volta da casa, permaneceram o dia inteiro só cochichando sobre o “calso” da noite anterior. Numa mistura de medo e fascinação que só o universo infantil nos proporciona. ao final da tarde de domingo voltaram pela mesma estrada de sobe e desce, buracos e muita poeira.
**voltar para o livro, A Casa Vazia***
Legal!
ResponderExcluirTe indico http://www.lacta.com.br/blog